sábado, 27 de novembro de 2010

Conto de fadas começam por fotos..
 
Era uma vez… dois fotógrafos. Um era um rapaz, o outro era uma garota.
Ele chama-se Aaron Nace. Ela chama-se Rosie Hardy. Ele tem 24 anos. Ela tem 17. Colocavam as suas fotos no Flickr, um dos maiores portais do mundo para se colocar fotos.

Aaron e Rosie
Aaron e Rosie em mais uma fotomontagem
Acabaram por se conhecer então via internet.
Ele vive na Carolina do Norte, Estados Unidos. Ela vive em Derbyshire, Inglaterra.
A amizade tornou-se em namoro. Mas tudo era em modo virtual.
A relação vive então de fotomontagens. Pois, como fotógrafos que são, fazem das melhores montagens que já viste.
E que montagens são essas? Dos próprios, um com o outro, como se estivessem juntos, como se estivessem a tocar.
A realidade é tanta que impressiona.
Brutal.

Mas, há poucas semanas, finalmente se encontraram. Após três meses de virtualismos, Rosie e Aaron encontraram-se cara-a-cara.
Rosie disse,
“Eu estava incrivelmente nervosa! Eu, a minha mãe e o meu pai guiámos até ao Aeroporto de Manchester para o apanhar e eu tremia que nem uma vara. Não porque duvidasse de quem eu estava prestes a conhecer, mas porque precisava estupidamente muito da presença dele na minha vida. Obviamente as pessoas são diferentes na vida real relativamente ao que parecem em fotografias, por isso estava sempre presente o pensamento de que ele poderia ficar desapontado comigo. Felizmente, ele não ficou mesmo nada.”
Quanto a Aaron,
“Foi maravilhoso. Eu estava nervoso mas eu estava muito confiante que tudo iria funcionar. Em poucos minutos foi como se estivéssemos juntos desde sempre.”
Quando questionados sobre o que mais gostam um no outro, a resposta é igual: Tudo!
Rosie disse
“Tudo. As suas caras parvas pela manhã, o seu sotaque, a sua mente maluca. Eu adoro não só porque me aceita como eu sou, mas pelo que eu sou e pela forma como me inspira a ser ainda melhor. Eu adoro como ele me vê sem maquilhagem, cabelo despenteado e me continua a dizer que sou a rapariga mais bonita do mundo. Adoro como vê pontos positivos em tudo, e como despreza as más experiências. Adoro a sua honestidade, a sua compaixão e a sua sede de viver. Amo as loucura dele por amar e por viver.”
Na comunidade Flickr, as pessoas continuam a dar apoio à história. Parece um conto de fadas. Cada foto é recebida com entusiasmo e alegria.
O casal está maravilhado com todo o apoio que receberam online.
“É realmente espantodo. Custa a crer que tanta gente nos apoie. Algumas pessoas voltaram a acreditar no amor depois de saberem da nossa história. Não imagino melhor honra. Sabe muito bem saber que temos um mundo a acarinhar-nos. Como poderia isto não ser perfeito com esse apoio?”, disse Aaron.
Agora fazem planos para irem viver juntos e para casarem.
Independentemente de tudo o que possa vir a acontecer, ambos têm uma história para contar aos netos vezes sem conta.

By Francisco Campos from Os deuses devem estar loucos

Um carnaval de imagens

Um carnaval de imagens

Fotógrafa franco-espanhola publica livro com 13 anos de pesquisa sobre o carnaval brasileiro

O Brasil apaixonou a fotógrafa Catherine Krulik, nascida em Paris e que morou boa parte da vida na Espanha. Formou-se em Londres, onde teve contato com a comunidade brasileira e aprendeu português. Três anos depois de sua primeira visita, decidiu morar no País. Em 1995, foi conhecer Ouro Preto, por coincidência, durante o carnaval. Este contato foi a raiz de um trabalho de pesquisa de 13 anos que virou o livro Carnavais do Brasil, que tem lançamento nesta quinta, na Livraria da Vila dos Jardins, em São Paulo.  

O livro traz uma seleção de 150 fotos de Catherine com textos da jornalista Marli Gonçalves e, que foi traduzido para inglês e francês. A seleção das imagens coube a também fotógrafa e designer gráfica Maristela Colucci. Ela tinha à disposição um universo de cerca de 8 mil imagens. Segundo Catherine, havia 240 imagens separadas para o trabalho, mas foi necessário reduzir ainda mais este número por causa do texto que as contextualiza. 


Catherine Krulik viveu na França, Espanha,
Reino Unido e, desde 92, no Brasil 

Veja alguma imagens do Livro 

 A fotógrafa apresenta imagens tanto do carnaval de rua, como das manifestações mais organizadas em Recife/Olinda, Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, São Luís. Ao contrário de boa parte dos trabalhos a respeito do carnaval, Catherine escolheu ir a fundo, visitar desde os eventos mais famosos até manifestações culturais de raiz popular, sem o glamour, mas com originalidade, como os maracatus da Zona da Mata de Pernambuco. "Vi gente muito humilde que se dedica com muita dedicação a produzir as roupas para o desfile, uma experiência muito forte", disse. 

 

Na opinião dela, o carnaval de rua pernambucano é o mais "autêntico". O de São Luís se parece bastante, embora de menor proporção. Ela confessa que, no folclore maranhense o que mais a chamou atenção foi a festa do boi, realizada na cidade no meio do ano. O ultimo que ela conheceu foi o da cidade em que mora, São Paulo. Apesar de ter ido à avenida, o que mais a chamou atenção foi o carnabike, que é um bloco de rua. 

Catherine contou que sua experiência mais forte foi em Salvador. 'Cheguei lá quase um mês antes para preparar tudo', lembra. O que mais a impressionou foram os desfiles dos blocos afros como o Filhos de Gandhi, Filhas de Oxum, entre outros. Quanto aos trios elétricos, o volume de gente a deixou assustada. "Era tanta gente que tive de andar com seguranças", observa.

Apesar do apreço que ela desenvolveu pelas manifestações espontâneas, ela não desmerece o tipo de carnaval que se associou ao Brasil. "Quando via pela TV, não me chamava atenção, mas quando fui a primeira vez à avenida, no Rio, em 1998, fiquei encantada com aquele trabalho, que é, sem dúvida, o maior espetáculo da terra", lembra a fotógrafa. Com as fotos que fez naquele carnaval, ela foi à França e ganhou o Euro Press Award.

"Quando ouço europeus dizendo que acham os brasileiros preguiçosos, respondo que gostaria de ver cada um deles ter capacidade para organizar um desfile de escola de samba",diverte-se Catherine.Agora sem a obrigação de fotografar, ela planeja desfilar em uma escola no carnaval de 2011. A franco-espanhola fotógrafa já é tão brasileira que confessou: "Torço pela Mangueira."


SERVIÇO:
Lançamento do livro Carnavais do Brasil - Sessão de autógrafos com a fotógrafa Catherine Krulik Quando: Nesta quinta, 25/11
Onde: Livraria da Vila - Lorena
Horário: das 19h às 22h
Endereço: Alameda Lorena, 1731
Tel.: (11) 3062-1063


Fonte: Marcelo Hargreaves - Estadão.com.br

 


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A Arte de Fotografar

''Quando vemos o que pode ser expresso pela foto, 
nos damos conta de que tudo aquilo não pode mais ser 
preocupação da pintura... 
Por que o artista insistiria em realizar aquilo que, com a 
ajuda da objetiva, pode ser tão bem feito? 
Seria uma loucura, não? A fotografia chegou na hora certa 
para liberar a pintura de qualquer literatura, anedota e 
arte do tema. Em todo caso, um certo aspecto do tema 
pertence, daqui por diante, ao campo da fotografia... 
Não deveriam os pintores aproveitar sua liberdade reconquistada para fazer outra coisa? Seria muito curioso fixar fotograficamente, não as etapas de um quadro, mas suas metamorfoses. Talvez percebêssemos por quais caminhos o cérebro envereda para a concretização de seus sonhos. Entretanto, é realmente muito curioso observar que, no fundo, o quadro não muda, que a visão inicial permanece quase intacta, apesar das aparências. Muitas vezes vejo uma luz e uma sombra que pus no meu quadro e empenho-me em quebrá-las, acrescentando uma cor que crie um efeito contrário. Quando essa obra é fotografada, percebo que aquilo que havia introduzido para corrigir minha primeira visão desaparece, e que, definitivamente, a imagem dada pela fotografia corresponde a minha primeira visão, antes das transformações trazidas contra minha vontade.''
                                                                                                          
                                                                                                   By Pablo Picasso

domingo, 21 de novembro de 2010

Mitos...

Bom, semana passada, li uns comentários em alguns fóruns relacionados à  fotografia, sobre Mitos que ocorrem em certas escolhas, na hora de fotografar. Esses mitos em geral ocorrem com fotógrafos amadores, assim com Eu (Que busco a cada dia me profissionalizar e aperfeiçoar meus conhecimentos).
Essas concepções muitas vezes limitam e dificultam a atividade criativa de quem fotografa, pois estabelece uma série de regras relativas a como as coisas devem ser. Os fotógrafos profissionais, em sua maioria, conhecem melhor o processo e não podem se dar ao luxo de limitar o próprio trabalho, e costumam cair menos nesse tipo de erro. Vamos pensar em alguns dos mais citados. 
                                          
By Ricardo Sousa

 
O mito do controle
Mostre uma foto para um fotógrafo amador e um dos comentários que você pode ouvir é: "está boa, mas esta árvore atrapalhou". Você pode responder simplesmente: "mas ela estava lá" ou "é que eu estava sem a minha retroescavadeira na hora, senão a teria tirado dali". A fotografia não é uma pintura. Não é possível controlar tudo o que vai sair na foto, mesmo quando se trabalha em estúdio. Pelo mesmo processo, mas da forma inversa, é possível ouvir elogios a uma foto que nada tem a ver com o trabalho do fotógrafo: "esta flor é muito bonita". Pois bem, o que é bonito é o objeto e não a foto. Não há muito mérito aí, apenas um reconhecimento. É preciso entender então, o que está de fato sob o controle do fotógrafo (o corte, o ângulo, a escolha da lente, a leitura da luz, o conceito) e o que é característica da cena, pois assim é possível reconhecer o que é criação e dar o valor correto ao trabalho que foi feito.

O mito da originalidade
Tem-se uma ideia de que para ser bom, é preciso ser diferente. Isso pode ter sido verdade um dia, mas no mundo de hoje, saturado de imagens de todos os tipos e em que milhares de fotos são publicadas a cada segundo na Internet, preocupar-se com ser original é uma atitude masoquista. É muito difícil fazer algo novo, e mais difícil ainda fazer algo novo todos os dias. Faz muito mais sentido ter uma produção coerente, coesa e significativa, mesmo que seja apenas do ponto de vista pessoal, do que querer ser diferente. Até porque ser diferente sem conteúdo não quer dizer nada. Outra faceta do mito da originalidade é que não se pode "copiar" um estilo. Ora, todos os grandes artistas são conscientes da influência que sofreram. Dificilmente se vai longe quando se começa do zero. É permitido ser influenciado, é permitido reler o trabalho de outras pessoas. Isso faz parte da arte e não diminui o que você faz.

O mito da foto única
Eu gosto bastante de ver em uma exposição uma obra pronta, de qualquer tipo, junto com os diversos estudos e esboços que o artista fez preliminarmente. Isso mostra que as boas obras de arte não são fruto de um rompante intenso e apaixonado. Geralmente, são fruto de um trabalho árduo e sistemático em que diversas possibilidades são testadas, resultados organizados, elementos categorizados etc. Da mesma forma, é muito interessante ver contatos de fotógrafos famosos e ver o quanto de suas fotografias são descartadas. Bons fotógrafos não fazem apenas uma foto. Fazer muitas, e escolhem as melhores. Para fazer uma foto boa, é preciso fazer dezenas ou centenas de "ruins". E não há nada de errado com isso, faz parte do processo. E aqueles que olham para esse processo buscando o que deu certo ou não têm mais chance de conseguir bons resultados de forma consciente.

O mito da foto pronta
Este é um mito originário da época do filme e que, surpreendentemente, se mantém nos tempos digitais. Antigamente, fazíamos as fotos, deixávamos no laboratório e recebíamos cópias ampliadas perfeitas, bem equilibradas em relação à luz e às cores (salvo algum desastre). O problema é que não se via que o funcionário do laboratório fazia cortes, corrigia cores, equilibrava a exposição e outras coisas. E hoje, quando podemos ver e controlar esse processo nos programas de edição de imagens, temos uma ideia de que isso significa trapacear, e que os bons fotógrafos não precisam disso. Entretanto, um fotógrafo realmente bom procurará fotografar no sentido mais amplo, que é de processar as suas fotografias depois do trabalho com a câmera. Se negar a fazer isso significa jogar fora pelo menos 50% da possibilidade de criação envolvida no processo. Ao selecionar as fotos, ao cortar, alterar exposição, cores, luzes etc. ele está criando muito mais do que no momento em que aperta o botão da máquina. E a fotografia é apenas uma interpretação das coisas: ela pode ser reinterpretada de diversas formas sem perder o seu valor por causa disso.

O mito do instante decisivo
Muitos fotógrafos amadores se sentirão ofendidos se alguém qualificar a fotografia como um mero apertar de botão. No entanto, muitos deles confirmam essa concepção ao acreditar que a fotografia é feita exclusivamente na câmera. Tende-se a supervalorizar o equipamento e acreditar que toda a atividade fotográfica se resume à sua operação. Logo, um bom fotógrafo é aquele que sabe mexer numa câmera, que sabe usar controles manuais — ou seja, que tem o total controle da máquina no tal instante decisivo. No entanto, a fotografia é muito mais ampla do que isso. Ela começa a ser feita muito antes de se pegar na máquina e termina muito depois. O fotógrafo pode escolher reconhecer esse processo ou não. O planejamento, a escolha do assunto, a expressão de um conceito, a leitura da luz são exemplos da fotografia anterior à câmera. Selecionar e descartar fotos, processá-las num editor de imagens, selecionar o suporte, imprimir, ampliar, pendurá-las na parede ou vendê-las são elementos da fotografia após a câmera. Quem reconhece tudo isso e entende que operar a câmera é apenas mais um elemento nessa cadeia tem mais chance de conseguir boas fotos.

Esses são apenas alguns de muitos outros mitos possíveis. O fundamental é que essas crenças levam a uma visão distorcida da fotografia, em que se tem uma série de regras sobre o que é certo ou é errado. Mas, se tratando de processos criativos, é contraprodutivo se autolimitar de forma inconsciente, sem questionar as regras que se está obedecendo. Cada um é livre para entender a fotografia de qualquer forma, seja de uma forma mais restrita ou mais ampla, mas que isso seja feito a partir dos próprios interesses e objetivos,  não a partir de concepções rígidas e pré-históricas que nem se sabe porque estão sendo aplicadas.

A fotografia amadora deveria ser muito mais livre, uma vez que não é encomendada nem precisa seguir um determinado padrão. No entanto, ao se apropriar, sem questionamento, de regras que apenas cerceiam as possibilidades, ela se torna mais engessada do que a fotografia profissional. Não é paradoxal?

Fonte: http://camaraobscura.fot.br